A MAÇONARIA NA HISTÓRIA: DAS GUILDAS AO SÉCULO XXI

Certificado de integrante da maçonaria, exposto na
Biblioteca e Museu da Maçonaria, em Londres
As imagens associadas à maçonaria, tais como o esquadro e o compasso que adornam incontáveis livros sobre o tema, podem aparecer para alguns de nós como símbolos envoltos em mistério e evocar imagens de conspiração. De fato, elas datam dos dias em que artesãos altamente capacitados estavam erguendo algumas das mais espantosas catedrais e outras construções que ainda dominam as cidades europeias.
Tais edificações fornecem uma pista importante sobre as verdadeiras origens dessa organização muito respeitada e amplamente difundida que se mantém viva e atuante no mundo moderno. Você não pode deixar de se perguntar, enquanto dirige o olhar para uma daquelas magníficas catedrais da Idade Média, como exatamente os construtores do passado conseguiram erguer enormes blocos de pedra a alturas incríveis; como conseguiram encaixá-los entre si tão precisamente, sem os recursos da tecnologia e do conhecimento modernos. E mais: como elas apareceram em momento tão semelhantes e construídas em formas relativamente próximas (no século XII, enquanto as igrejas de Verona, Bérgamo e Cuomo eram construídas, na Alemanha surgiam as de Lubeck e Freiburg; na França, as de Aix e Dijon; e na distante Inglaterra, Canterbury e Bristol, todas com arcos romanos. Por fim, você se pergunta, contemplando-as: como as construções ainda estão de pé tantos séculos depois?

A resposta jaz na geometria. Os mistérios da arte matemática eram, na época, conhecidos por apenas uns poucos privilegiados entre os muitos que trabalhavam dura e longamente para construir essas maravilhas arquitetônicas. Esses poucos incluíam os mestres artesãos que trabalhavam a pedra. Graças a seu conhecimento de geometria, os mestres pedreiros sabiam exatamente o que fazer com as enormes rochas que vinham das pedreiras; como deveriam ser cortadas; como erguê-las; e como conservá-las de pé ao longo dos séculos.

Para compreender a razão pela qual esses artesãos poderiam ser chamados de “pedreiros-livres” – expressão usada como sinônimo de “franco-maçons” ou simplesmente “maçons” –, pense na enorme demanda por seus serviços naquele período. Eles precisavam ser “livres” para viajar de um local de construção para outro, em regimes de trabalho completamente diferente daquele dos homens menos habilidosos, obrigados a servir seus mestres num único lugar. Os pedreiros, como muitos artesãos da época, estavam organizados em guildas, como a dos lombardos Mestres Comacinos, que aos poucos conquistaram algum poder na organização social que começava a se transformar.

As guildas surgiram primeiramente na Itália e em seguida na França, no século VIII. Logo, o sistema se espalhou para o norte e, depois, pelo restante da Europa. Ele se mostrou tão eficiente que em meados do século XIII já se tornara uma das principais bases do sistema econômico e social europeu.

As guildas pressupunham um sistema de ajuda mútua que incluía auxílio a membros adoentados e órfãos e até mesmo sacerdotes a serviço do grupo para recomendar os mortos. Mais do que isso, elas guardavam zelosamente os segredos de sua profi ssão – quanto mais especializado o ofício fosse, maior o segredo envolvido. Assim, ninguém fora dos círculos de mestres pedreiros, nem sequer os homens poderosos que os empregavam para construir suas catedrais, conhecia os meandros e as técnicas envolvidas em sua atividade – e muitos desses segredos eram guardados por esses profissionais por gerações; eles dominavam técnicas aprendidas com congêneres bizantinos e originadas na Antiguidade greco-romana.

O propósito dessas corporações era estabelecer um controle efetivo sobre os mecanismos produtivos. Elas encarregavam-se também de garantir que houvesse um número suficiente, mas nunca excessivo, de conhecedores dos segredos e macetes do ofício – e todos eles eram homens naquela época; mulheres não seriam aceitas como artesãs por muitos séculos. As guildas
atuavam também como protetoras desses segredos e se asseguravam de que os membros correspondessem devidamente a certos padrões de habilidade artesanal. Esse alto grau de especialização profissional se estendia de alguma maneira à vida social, com educação, artes e divertimentos compartilhados pelos membros de determinada guilda. Nela, eles encontravam

um pequeno mundo completo, no qual ele se sentia protegido.
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Editor Luiz Sergio Castro