Facebook, 8 anos e 850 milhões de usuários

Por Milton Ribeiro - Sul21
Hoje, o Facebook, lançado em 4 de fevereiro de 2004, tem o mesmo número de usuários que a internet toda tinha em 2005. Em âmbito mundial, o Facebook já ultrapassou o número de 850 milhões de usuários. Traçando um paralelo simplório — pois desconsidera os perfis de empresas e de outras organizações — , diríamos que 12% da humanidade tem conta no Facebook. Proporcionalmente, o Brasil foi o país que mais deu usuários a Mark Zuckerberg e companhia em 2011. Leia mais



 O país saltou de 8,8 milhões de usuários em dezembro de 2010 para mais de 35 milhões no mesmo mês de 2011; isto significa dizer que tivemos um crescimento de 298%. No final de 2011, o país estava na quarta colocação em número de usuários da rede social, perdendo para os Estados Unidos, com 157 milhões de internautas, Indonésia (41,7 milhões) e Índia (41,3).

Se o Facebook fosse um país, seria o terceiro mais populoso do mundo, apenas atrás da China e da Índia, tendo ultrapassado de longe os Estados Unidos da América com seus 310 milhões de habitantes. Recentemente, o valor da empresa foi avaliado em 50 bilhões de dólares, ficando atrás apenas do Google e da Amazon dentre as empresas da Internet. Mark Zuckerberg, principal proprietário da rede social, tem uma fortuna avaliada em 15 bilhões de dólares.

As razões do sucesso

Se o Google é informativo, se o Twitter é rápido em suas frases e links e se o YouTube é puro entretenimento, o Facebook dá um importante retorno emocional a seus seguidores. Estes veem seus pequenos textos e opiniões aprovadas, veem fotos de amigos sumidos, pesquisam sobre os amigos dos amigos (“será que eu conheço alguém?”) acompanham se aquela(e) amiga(o) está tendo um “relacionamento sério” com outrem (analisamos quem é, examinamos as fotos, se tivermos permissão), reagem quando um destes status se altera (às vezes com alegria), ficam preocupados com a falta de uma resposta (“será que ele não se conecta ou não deseja responder?”), compartilham imagens e textos entre os amigos (“gostei tanto daquilo que meu amigo escreveu que repassei a todos os meus seguidores”) e bloqueiam seus desafetos (“para que ela não saiba nada de minha vida!”). Surgem com grande frequência notícias que relacionam o site com fatos que parecem saídos de revistas de fofocas do gênero a-mulher-que-descobriu-que -o-marido-já-era-casado ou pai-descobre-filhos-desaparecidos-há-anos, mas o site – concebido justamente para utilização pessoal também passou a ser utilizado com finalidades políticas.

Mas antes um pouco de história. O Facebook foi um sucesso instantâneo. Mark Zuckerberg, juntamente com Dustin Moskovitz, Eduardo Saverin e Chris Hughes, fundou o “The Facebook” enquanto frequentava a Universidade de Harvard. Era 4 de fevereiro de 2004 e, até o final do mês, mais da metade dos estudantes da Universidade foi registrada no serviço. Então Zuckerberg partiu para a promoção do site e o Facebook ficou disponível também para a Universidade de Stanford, Columbia e Yale. Esta expansão continuou em abril de 2004 com as universidades de Cornell, Brown, Dartmouth, Pensilvânia e Princeton. Logo foi aberto para fora do ambiente universitário e… Bem, o número de usuários chegou ao primeiro milhão em dezembro de 2004, apenas 10 meses após a fundação.

O serviço é gratuito para os usuários e a receita é gerada por publicidade, incluindo banners, destaques patrocinados na coluna de notícias e grupos patrocinados. Os usuários criam perfis que contêm fotos e listas de interesses pessoais, trocando mensagens privadas e públicas entre si e participantes de grupos de amigos. A visualização dos perfis detalhados dos membros é restrita a amigos confirmados e para membros de uma mesma rede. Há também opções de jogos. Trata-se de uma receita aparentemente perfeita e que faz com que cada usuário tenha uma média de 150 amigos e permaneça 750 minutos por mês no site.

A política e a censura

Sendo uma rede social tão presente no cotidiano, o Facebook espalha a sua influência. Juntamente com o Twitter, o Facebook foi fundamental para espraiar rapidamente o clima de revolução nos países do mundo árabe. A Primavera Árabe iniciou na Tunísia, levando à queda do presidente Ben Ali, e espalhou-se pelos países à sua volta, numa onda de contestação aos governos. Em outro país, o Egito, vimos o ex-presidente Hosni Mubarak fechar, pela primeira vez na História, o acesso de um país inteiro à internet, numa tentativa inútil de conter a mobilização do povo. Todas estas revoluções tiveram um ponto que, se não foi único, foi comum: o Facebook.

Mas também vieram críticas à censura que o site apresenta. Ao lado das esperadas deleções dos perfis que estimulam a pedofilia, a pornografia e as drogas, houve atitudes inexplicáveis como aquelas que retiraram fotos de lactantes dando de mamar a seus filhos e aquela que deletou fotos da famosa capa do disco Nevermind, do Nirvana, em razão de que “O Facebook não permite fotos que agridam indivíduos ou grupos, ou que contenham nudez, uso de drogas, violência, ou outras violações das normas de uso”.

A interpretação das violações das normas ou de incitação à violência é bastante livre. Por exemplo, o movimento 15-M da Espanha passou a ser censurado, suas mensagens foram deletadas e os ativistas tiveram que usar redes sociais paralelas. Depois, tudo foi recolocado no ar com um pedido de desculpas…

Bastante mais próximo fisicamente, o sociólogo argentino Atilio Boron, diretor do Programa Latino-americano de Educação à Distância em Ciências Sociais de Buenos Aires, teve seu perfil com mais de 7000 usuários deletado após críticas feitas à Secretária de Estado Hillary Clinton. (Aqui, o artigo traduzido).

Os moderadores do Facebook parecem bastante eletivos. Um post que oferecia recompensa a quem sequestrasse determinado soldado israelense foi compreensível e rapidamente deletado, mas um análogo que desejava o sequestro de um árabe foi excluído apenas após denúncia.

O brasileiro do Facebook
O brasileiro Eduardo Saverin é um dos fundadores do Facebook. Hoje bilionário, vivendo recluso em Singapura, ele é um dos maiores desafetos de Mark Zuckerberg. O escritor Ben Mezrich, autor do livro que deu origem ao filme A Rede Social, nutre alguma desconsideração por Saverin — diz que ele é um bilionário por acaso.

Saverin nasceu em uma família rica de São Paulo. No início da década de 90, ainda criança, mudou-se com a família para os Estados Unidos. O motivo era o medo de sequestros na capital paulista. Em 2003, iniciou o curso de economia na Universidade de Harvard. Lá, conheceu Zuckerberg, aluno de ciência da computação, considerado um gênio. Ficaram amigos e Mark o levou ao projeto do Facebook.

Ao que tudo indica e contrariando Mezrich, Saverin foi fundamental. Não teve participação importante no desenvolvimento da ferramenta, mas financiou a muito bem sucedida divulgação inicial do Facebook. Ou seja, ele bancou os investimentos que levaram o Facebook a ganhar adeptos rapidamente nos primeiros meses. Segundo documentos do próprio Facebook, “Saverin administrou o desenvolvimento de negócios e aspectos comerciais da rede social em seus primeiros anos”.

Logo Zuckerberg quis diminuir a participação do brasileiro nos ganhos. A redução era espetacular: de 24% para 0,3%. Saverin reagiu abrindo um processo contra a empresa. Venceu e passou a deter 5% do Facebook, percentual que tem vendido pouco a pouco. É o 782º homem mais rico do mundo, com uma fortuna estimada em 2,75 bilhões de dólares, segundo a Forbes.
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Editor Luiz Sergio Castro