Maçonaria na luta contra corrupção e impunidade

O Grão-Mestre  da Grande Loja de
 Goiás afirma que entidade está vigilante 
O médico Ruy Rocha de Macedo lidera em Goiás uma instituição que tem história de lutas éticas e de defesa de valores de liberdade, igualdade e fraternidade: a maçonaria. Como grão-mestre da Grande Loja Maçônica de Goiás, ele anunciou que a maçonaria vai encampar uma luta firme e ordenada contra a corrupção e a impunidade. Definida em assembleia acontecida em Aracaju no mês de julho, a campanha “intransigente em defesa da ética e da moral” deverá ganhar as ruas em Goiás nos próximos dias, anunciou Ruy Rocha. Em entrevista ao DM ele fala da necessidade da sociedade de endossar a campanha moralizadora da faxina ética que tem atuação destacada da presidenta Dilma Rousseff e de setores da sociedade, como artistas que se manifestam de forma diversa, como as vassouras fincadas nas praias e até na Esplanada dos Ministérios. Ruy Rocha é médico ortopedista e do esporte, professor da Faculdade de Medicina da UFG, grão-mestre da Grande Loja de Goiás pelo quarto mandato e suplente de deputado estadual pelo PSB. Já foi vereador em Goiânia e secretário de Esporte e Lazer. Leia entrevista concedida ao Diário da Manhã


Diário da Manhã – Como será essa campanha da maçonaria contra a corrupção e a impunidade?
Ruy Rocha – Tradicionalmente, como ocorre há vários anos, acontece a Confederação da Maçonaria Simbólica do Brasil e este ano, no mês de julho, nos reunimos na cidade de Aracaju. Dessas assembleias surgem discussões que destacam tópicos mais importantes para o País, e a maçonaria busca materializar seu papel de defender os valores éticos e morais da sociedade e de tornar feliz a humanidade. Esses dois assuntos, especificamente, corrupção e impunidade, têm dominado as discussões ultimamente diante do abandono de valores e da inversão de princípios em que a busca pelo ter supera em muito a busca pelo ser e conhecer.

DM – Essa participação da maçonaria em defesa da ética não é nova?
Ruy – Em absoluto, nossa instituição está presente desde sempre de forma vanguardista na defesa das lutas mais justas da sociedade. Uma das mais significativas ultimamente foi a campanha da Ficha Limpa, que teve participação efetiva da fraternidade e, em Goiás, foi lançada pela Grande Loja. Agora mesmo, estamos plenamente de acordo com a tentativa da presidenta Dilma Rousseff de estabelecer uma faxina ética na administração pública. Uma demonstração inequívoca de que a sociedade quer limpeza em todos os níveis são as constantes manifestações, como os artistas que fincaram vassouras em praias e até na Esplanada dos Ministérios para mostrar que precisamos varrer para a lixeira da história essas degradações que comprometem o bem viver de nossa sociedade.

DM – Quais as consequências dessa inversão de valores?
Ruy – Logicamente isso gera desequilíbrio social e uma infinidade de outras desgraças, como avanço das drogas, da criminalidade e até de guerras. Tudo isso são consequências claras desse desequilíbrio. Nós sabemos que na democracia os governos eleitos democraticamente e os parlamentares são os legítimos representantes do povo, e essa sociedade espera deles aquilo que está faltando: moralidade, respeito à coisa pública, valores éticos e tratamento digno para todos os cidadãos. A maçonaria sempre abraçou essas causas e esteve na vanguarda dos acontecimentos em todas as épocas e em todo o mundo. Maçons, ao longo da história da humanidade, estiveram sempre na dianteira da construção de um mundo mais justo e fraterno. A maçonaria como instituição ensina os homens a serem bons, a crescerem e a cultivar valores nobres.

DM – Como será possível os maçons intervirem na política para combater a corrupção e a impunidade?
Ruy – Eu digo sempre com experiência que o melhor combate à corrupção e à impunidade é o exemplo prático e não apenas teórico. Colocar na prática o que a maçonaria preconiza, que é a prática das virtudes. Todo cidadão que agir de forma intransigente dentro de virtudes morais dará seu exemplo e poderá cobrar de seus concidadãos postura igual. Precisamos demonstrar de forma bem clara que não existe meio ético. O indivíduo é ético ou não é, e essa prática precisa ser constante. Os maçons precisam ser éticos para dar o exemplo e honrar sua instituição e agirem maçonicamente em todos os segmentos e níveis em que atuem, nos tribunais, nos parlamentos, nos segmentos classistas, na administração pública.

DM – Qual a postura da maçonaria quando identifica um maçom em desvio de conduta?
Ruy – Infelizmente, há homens bons e maus em todo lugar e até na maçonaria incorrem indivíduos que se desviam da conduta ética. Os maçons devem constantemente estar no equilíbrio, fortalecendo suas virtudes e qualidades e enfraquecendo seus defeitos e suas deficiências. Quando pensamos assim estamos no caminho certo, mas, infelizmente, quando esses defeitos se sobres-saem, o indivíduo incorre em erros graves. Uns dos mais graves são o preconceito e a visão deturpada de que o homem é assim e não pode mudar. Ao contrário, o homem nasceu para evoluir constantemente, ser hoje melhor do que ontem; amanhã ser melhor do que foi hoje e assim por diante. É como o conhecimento, processo que modifica e melhora o indivíduo. O conhecimento não tem limites e a evolução dos valores também não pode ter limites.

DM – Praticar a ética e combater corrupção e a impunidade significa também cortar na própria carne? Excluir dos quadros quem é flagrado praticando corrupção, como foi o caso do ex-governador do Distrito Federal José Roberto Arruda, maçom do Grande Oriente do Brasil?
Ruy – Sim, claro. Praticar a ética não pode ter limites e se for necessário mostrar ao indivíduo que ele não tem condições de conviver com uma irmandade que prega e pratica, a virtude e os bons costumes, isso deve ser feito sem medo.

DM – Quais os efeitos da corrupção e da impunidade no cotidiano da sociedade?
Ruy – Vejo isso como um entrave muito grande para o patriotismo e para o progresso da Nação. A cidadania só acontece plenamente se o Estado cumprir seu papel de forma plena. Como médico vejo sempre a dificuldade de cidadãos que precisam de atendimento, medicamentos, internações e outros serviços que poderiam ser melhor atendidos se recursos milionários não fossem desviados. Isso atenta contra a cidadania e gera desamor entre os indivíduos. Dessa sensação de impunidade brota a descrença nas pessoas de boa índole e fomenta sensação de que pode persistir no crime que o Estado não vai punir.

DM – Como se dará essa campanha de combate à corrupção e à impunidade?
Ruy – Vamos dar uma arrancada agora. Teremos a participação de nossos irmãos do Grande Oriente do Brasil no Estado de Goiás, cujo grão-mestre Barbosa Nunes participa das discussões e planejamentos para essa cruzada ética e nossos irmãos do Goeg vão compor ombros conosco nessa campanha. Em breve teremos um adesivaço em Goiânia e nas principais cidades do Estado para massificar essa campanha. Vamos promover outras atividades para mostrar que essa campanha precisa ser de toda a sociedade com firmeza, exemplos práticos e aprimoramento dos costumes. Teremos também a participação de entidades paramaçônicas como a Ordem Demolay, Filhas de Jó e toda a família maçônica.

Assembleia de Aracaju

PROCLAMAÇÃO AO POVO BRASILEIRO

A Confederação da Maçonaria Simbólica do Brasil (CMSB), representando mais de 110.000 maçons filiados às vinte e sete grandes lojas maçônicas de todas as Unidades Federativas do Brasil, reunida em sua XL Assembleia Geral Ordinária, nos dias 2 a 6/07/2011, na cidade de Aracaju-SE, conclama o povo brasileiro para que, unidos, continuemos na defesa intransigente da ética e da moral, propugnando ainda pelo efetivo envolvimento de todas as grandes lojas confederadas nos seguintes assuntos de interesse nacional:1 – Priorização das políticas de educação no País, com alteração substancial do modelo existente, e com participação direta e efetiva da União Federal em todos os níveis, inclusive com revisão do pacto federativo.
2 – Institucionalização de políticas preventivas e educacionais de combate ao uso de drogas, voltadas ao público infantil e juvenil nas áreas de abrangência e de atuação de todas as grandes lojas brasileiras.
3 – Estabelecimento de parcerias com o governo e com a sociedade organizada na implementação de políticas públicas de defesa das crianças, adolescentes e proteção à velhice.
4 – Participação efetiva nos projetos de proteção ao meio ambiente, através de políticas que garantam a sua preservação, a qualidade de vida da população e ao mesmo tempo possibilite o desenvolvimento sustentável.
Aracaju-SE, 6 de julho de 2011.

Fonte: Diário da Manhã, Hélmiton Prateado
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Editor Luiz Sergio Castro